“Quando chegou a plenitude do tempo, enviou Deus seu Filho, nascido de uma virgem” (Gl 4,4). Em uma capela dedicada à Virgem Maria, reina o Cristo na parede central do presbitério-santuário. Nesta parede, poderia se encontrar a Virgem com o Menino ou simplesmente Maria, sozinha, pois já bastaria sua presença, para suscitar a contemplação do mistério da Encarnação. Mas, no caso desta capela, o movimento é aquele que começa em Maria e termina no Cristo. A bela imagem fac-símile de Guadalupe, recebida do México, foi entronizada nas proximidades da porta, de forma a ficar voltada para o presbitério. Fazendo assim, o fiel, ao entrar nesse lugar, é atraído pela figura da Virgem, dignamente ornada em uma moldura de madeira; contudo, o olhar não se fixa no quadro, pois a Virgem o direciona para o presbitério, onde está o Cristo. Esse movimento é próprio das imagens de Nossa Senhora, ao longo da história: o olhar não para em sua imagem, mas esta serve de vetor para alcançar a figura do seu Filho divino.
Toda a iconografia da capela foi construída por esse movimento: a salvação nos é oferecida, mas passa por Maria. Também por isso ela está perto da porta central: o Espírito cria nela o Menino, mas o faz através da “porta da sua obediência” (Bento XVI). Por isso, vemos a sua imagem em muitos tímpanos de igrejas, pois se “Cristo é a porta das ovelhas” (Jo 10,7), Maria é também porta, pela sua maternidade divina.
Pelo dom de Maria, podemos contemplar na parede do céu - a parede central do presbitério - a visão do Verbo encarnado, morto, ressuscitado e glorificado. Ele se mostra na sua majestade, sentado, tendo os pés sobre o mundo (Mt 5,35), e segurando o livro quadrado, pois nos revelou o mistério escondido desde toda a eternidade (Cl 1,26). Ele, sendo o centro da Jerusalém celeste, aparece acompanhado de elementos multicoloridos e preciosos (Ap 21), pois assim é a Cidade celeste - não é constituída de preto e branco, mas esplendorosa, como um jaspe cristalino (Ap 21,11).
Na parte superior, mostra-se a mão, símbolo da ação da Primeira Pessoa, o Pai, que, de uma secção do céu, coroa toda obra realizada pelo Filho e a recebe consigo.