O quarto e último vitral está na fachada nordeste da Catedral e traz o tema da Ascensão-glorificação, através da visão da Coroação da Virgem Maria. Uma pergunta se impõe: tratando-se da Ascensão do Cristo, por que se vê, então, a glorificação da Virgem? A primeira resposta é que a Virgem é patrona da Catedral, com o título de Nossa Senhora de Guadalupe, elemento determinante para a construção de uma iconografia nesse lugar. A segunda – um pouco mais complexa – é de origem teológica e iconográfica. Quando Maria aparece em uma representação artística, ela traz consigo o mistério da Encarnação, como a Arca viva do Verbo encarnado. Provoca admiração que – ao olhar atentamente a história das imagens da Virgem Maria, desde o início da Igreja - Maria nunca indica Ela mesma, não age por Ela mesma: os olhos – ao pousarem sobre a Mãe - são conduzidos ao seu Filho.
No vitral não é diferente. O protagonismo é do Cristo e a glorificação da Virgem fala diretamente da elevação do Filho! Maria é representada um pouco menor que o Cristo e o gesto dela é de recebimento, de aceitação, enquanto Ele oferece sua vida divina, como dom à sua Mãe. O Cristo – ao ser glorificado – abre o caminho para o Paraíso e Maria é a primeira a alcançá-lo. Então, a Ascensão-glorificação do Filho gera esta belíssima imagem: a glorificação de sua Mãe! Ela é assunta, elevada aos Céus como a primeira das criaturas, ensinado com isso que – imitando o Cristo como Ela o fez - seremos também nós elevados, e conosco, todo o cosmo. O Pai – ao glorificar o Filho – arrebata para si a nossa humanidade, também transformada, da qual Maria é a figura representativa: ver Maria sendo coroada é enxergar também a Esposa de Cristo – a Igreja – elevada na glória; significa enxergar ainda, na mesma figura de Maria, a imagem da nossa alma, coroada de eternidade. Este é o centro da boa nova de Cristo: a maravilha de podermos fazer parte da vida divina e eterna, junto à Virgem Maria e à Trindade.