"O Caminho de José" — A Oferta · Asti, Piemonte (Itália)

"O Caminho de José" — A Oferta · Asti, Piemonte (Itália)

As imagens colocadas aqui são do terceiro quadro do percurso "O caminho de José" (Asti, Piemonte, Itália, 2019). Dedicado ao tema da oferta e do sacrifício, o quadro é denominado “A noite da oferta. Consagrado ao Senhor”. Em uma paisagem espiritual expressa pela noite estrelada e pelas montanhas luminosas, vêm representadas três cenas de oferta.. Duas dessas, de dimensões pequenas, desenvolvem-se sobre montanhas que aparecem no fundo. No alto, o patriarca Abraão conduz Isaac ao sacrifício que acontecerá no cimo do monte, segundo as palavras da carta aos Hebreus: “Pela fé Abraão ofereceu seu único filho” (Hb 11,17). Mais abaixo, José, filho de Jacó, é lançado na cisterna pelos seus irmãos. Também aqui, a palavra de Deus, escrita em caracteres vermelhos, sustêm a compreensão: “Quando José se aproximou de seus irmãos, eles [...] lançaram-no em uma cisterna” (Gn 37,23-24).

O quadro fala da resposta dos patriarcas ao chamado de Deus e a gama cromática quente e luminosa certifica que não é a tristeza que domina, mas a alegria da oferta consciente feita ao Senhor. “O justo responde ao Senhor não somente com a obediência, mas com a disponibilidade total à oferta de si e ao sacrifício. Abraão amarra o filho Isaac e Isaac se deixa amarrar, confiando em uma intervenção de Deus inimaginável”, por isto o lugar sobre o cimo do monte onde acontece a oferta vem chamado por Abraão “sobre o monte Deus proverá” (Gn 22,14). Também José, filho de Jacó, abandonado no deserto pelos irmãos, espera em silêncio a intervenção do Senhor para libertá-lo. Na “plenitude do tempo” o outro José, filho de Davi, último dos patriarcas de Israel, cumpre liturgicamente, mas realmente a mesma oferta, quando, junto com Maria, a mãe, leva o menino Jesus ao Templo para oferecê-lo ao Senhor. As palavras da Escritura não estão mais em letras vermelhas, mas em caracteres de ouro, luminosos: “Levaram o menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor” (Lc 2,22). O que ocorreu aqui é, de fato, um sacrifício e uma oferta totalmente novos, por isto o ancião Simeão, apertando o Neonato nos seus braços, proclama que os seus olhos viram a salvação que é luz para todos os povos. O sentido desta novidade é claramente indicado: sobre o altar do Templo estão, de fato, colocados um pão e um cálice colmado de vinho, enquanto que o cibório que o encima é coroado por uma cruz. O altar do templo é, portanto, ao mesmo tempo, o altar de uma igreja e o Menino nos braços de Simeão ocupa o mesmo lugar do pão eucarístico sobre a mão dos cristãos que comungam do Corpo do Senhor. O significado eucarístico da Apresentação ao Templo faz pate da tradição da Igreja, seja na liturgia que na iconografia. O menino Jesus que vem oferecido é, de fato, o Verbo de Deus feito carne que diz: “Eis que venho, Senhor, para fazer a tua vontade” (Sl 39,8-9). A oferta voluntária da sua existência ao Pai inaugurou a comunhão dos homens com Deus no mistério do seu Corpo e Sangue, oferecidos uma vez por todas (Maria Giovanna Muzj).

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