"O quadro da alegria"
Continuamos o percurso dos 7 quadros sobre S. José realizados em Asti, na Casa Mãe dos Oblatos de São José (Piemonte, Itália, 2019), na celebração dos 30 anos da Redemptoris Custos e dos 150 anos da proclamação do patrocínio universal de São José sobre a Igreja, por Pio IX. Apresentamos aqui o quarto quadro intitulado “O júbilo de Deus alegra o coração” ou simplesmente “o quadro da alegria”. Por isso mesmo, neste quarto quadro, a noite não está presente como nos outros: como um elemento que participa da mensagem da composição, aqui sua ausência serve para indicar a “alegria” da evento redentor, anunciada pelo sorriso de Sara. A presença de Sara pode parecer estranha em uma pintura dedicada a S. José, mas lembramos que para redescobrir a grandeza de José na história da salvação, os quadros de Asti o colocam lado-a-lado das figuras dos patriarcas do Antigo Testamento. De tal modo, à esquerda da representação, está Sara, no ingresso da tenda e que ri ao saber de sua maternidade na velhice (narrado em Gen 17, 15-19; 18, 9-15; 21, 1-7). Mas aqui, o sentido total do riso de Sara só poderá ser contemplado na plenitude dos tempos, por isso, Sara ri olhando para o centro do quadro, onde está a estrela de oito pontas sobre a Virgem com o Menino, como escreve Maria Giovanna Muzj: "A longa noite de espera do Senhor é porém aquecida pelo riso de Sara: riso de incredulidade, depois negado, que se transforma em riso de alegria trasbordante: o Senhor não somente 'deu-lhe motivo de jubiloso riso', mas cada um que souber que se tornou mãe participará da alegria daquele riso. Como mostra a dominante cromática quente deste quadro, posto propositadamente no centro dos sete, o riso de Sara que aquece toda a espera do Povo de Israel constitui o coração do anúncio do anjo à Virgem Maria: 'Alegra-te'. É a alegria dos magos, que deixando o palácio de Herodes, veem novamente a estrela que os guia até Belém: a estrela de oito pontas do tempo da Redenção, fixada até o final dos tempos sobre a Virgem Maria que apresenta ao mundo o Filho Jesus". Perto da Virgem com o Menino, coloca-se S. José: vestido com manto e bastão de pastor, vela e ao mesmo tempo dá testemunho (o gesto da mão direita), como um bispo zeloso pela sua Igreja. Este modo de representar S. José segue uma antiga tradição da Igreja (IV e V séculos) que vê no papel do patriarca de Nazaré uma figura dos bispos e sacerdotes: do mesmo modo que José foi solícito em relação à Maria e ao Menino, assim todo bispo e sacerdote deve proceder em relação à Igreja e ao anúncio do evangelho.