O mistério de Maria e da Igreja
As dez paredes da nave trazem, em primeiro plano, dez cenas narrativas sobre a presença da Virgem Maria nas Sagradas Escrituras. São imagens predominantemente marianas e todas elas trazem Maria em uma narração diferente. Contudo, mesmo que o intento das imagens da nave seja contar histórias, a arte sacra cristã nunca se detém somente a este plano: ela sempre revela algo mais, uma verdade mais profunda que se esconde atrás dos fatos que representa. Assim acontece com as figuras marianas nessas dez paredes: são narrativas, mas não só isso. Analisadas de tal forma – o de revelar um significado profundo - o percurso das dez paredes não encontra razão tanto a partir da porta - movimento que revela o valor narrativo - mas a partir do presbitério, da onde irradia o mistério pascal do Cristo, do onde tudo ganha significado.
Quando se estuda atentamente as figuras marianas, principalmente no primeiro milênio da Igreja (Maria Giovanna Muzj), descobre-se que elas não mostram, em primeiro plano, a figura da Virgem, mas são vetores, indicam a verdade do Filho, em uma subordinação completa, mas totalmente dinâmica da figura de Maria àquela do Senhor. É exatamente este aspecto de sua iconografia que mostra a sua grandeza e suas maiores qualidades, deixando transparecer o aspecto mais interior e secreto do mistério da sua pessoa: ser virgem e esposa. O primeiro revela o dom total da sua pessoa, vivendo inteiramente em função do Senhor; o segundo, a sua puríssima aceitação do projeto divino, de modo único e singular. Ao penetrar nesta interioridade da vida de Maria, descobre-se o mistério da vida da Igreja: ambas são mães, ambas são virgens, ambas concebem por obra do Espírito; enquanto Maria gera o Cristo-cabeça, a Igreja gera os membros. Tudo o que se afirma de Maria, pode ser feito em relação à Igreja (ou vice-versa).