“Enquanto Deus se torna inteiramente presente por nós em Jesus,
da mesma forma Jesus torna-se inteiramente presente para nós no pão e no vinho da Eucaristia. [...]
Deus dá tudo. Esse é o mistério da Encarnação. E esse também é o mistério da Eucaristia”. (NOUWEN, H.)
Encarnação e Eucaristia estão intimamente unidas. Assim também via São Francisco ao contemplar o presépio. Francisco, no Natal de 1223, em Greccio (Itália), pediu a um nobre senhor chamado João, que preparasse uma representação do nascimento de Jesus em Belém. Ali, naquela noite, nasceu o presépio. Mas é importante lembrar que o modo de Francisco estar diante do Menino no presépio é o mesmo de estar diante de Cristo na Eucaristia.
Tal união - Natividade e Eucaristia - inspirou a iconografia da parede central da Paróquia São Francisco de Assis de Godoy Moreira (PR). A grande parede (11,82 x 4,98m) é dividida em faixas de cores: a primeira, em baixo - de cor amarronzada - é a terra que recebe o Menino encarnado e, a última, no alto - de um azul profundo - o céu estrelado, símbolo do céu de Deus, de onde vem o Menino divino. Ao longo dessas faixas se desenrola a visita dos magos. No centro, no lugar onde deveria estar a gruta, está uma cidade toda decorada, onde se encontra o grupo da Virgem sentada com o menino, ambos olhando diante de si, juntamente com São José, que contempla a Mãe com seu Filho divino. A cidade é símbolo da Igreja que celebra o mistério de Deus que desce na carne.
Para esse centro de vida, dirigem-se os magos, à direita e à esquerda da parede, como em uma procissão, levando seus presentes. Na extrema esquerda da composição, está o primeiro mago - o mais jovem - em passos largos; ele é sucedido por outra figura - o mais velho dos magos - já em atitude de adoração diante do Cristo; do lado direito, o terceiro mago - representado na idade adulta - segura um turíbulo (do incenso), olha diante de si, convidando a assembleia dos fieis a se voltar para o centro, onde está o Menino. No lado direito, por último, está também São Francisco, tendo a gralha azul sobre o ombro - pássaro símbolo do Paraná -, que junto dos magos, faz sua adoração. A presença do santo no mesmo caminho dos sábios do Oriente revela que se trata de uma representação simbólica: o caminhar deles representa o movimento da humanidade para Cristo, inaugura uma procissão que percorre a história inteira (RATZINGER, J.). As idades dos sábios - juventude, idade adulta, velhice - mostram como as diversas formas da vida humana encontram o respectivo significado e a sua unidade interior na comunhão com Jesus; também os presentes têm seu significado, são três aspectos do mistério de Cristo: o ouro aponta para a sua realeza, o incenso para o filho de Deus, e a mirra para o mistério da sua paixão.
Por estar na parede central, atrás do altar, a representação da visita dos sábios é um convite a fazer parte de sua procissão para Cristo e contemplar o seu mistério na santa celebração da Eucaristia.